Mutirão da solidariedade

30/06/2015 15:55

O sonho de muita gente é ter uma casa própria, mas muitos não possuem recursos para comprá-la ou mesmo para construí-la e por isso moram em condições precárias. A situação de algumas dessas pessoas é alterada por ONGs e voluntários que fazem da solidariedade a argamassa necessária para construir realidades.

É o caso de quem participa da organização Habitat Brasil, que enxerga a moradia como um direito fundamental e busca desenvolver o senso de comunidade em áreas de baixa renda ao construir casas em sistemas de mutirão. Com atividades em Pernambuco e São Paulo, a entidade une voluntários e moradores do local escolhido para suas ações e em pouco tempo consegue levantar residências dignas.

“Os voluntários, que vêm de diversas partes do Brasil e do exterior, ajudam em muitas tarefas”, explica Joanna Calazans, coordenadora de voluntariado da Habitat Brasil. “Misturam cimento, carregam concreto, assentam tijolos, pintam paredes, colocam janelas. Enfim, ajudam os pedreiros contratados na execução de tarefas simples, mas trabalhosas”. As atividades são sempre supervisionadas por uma equipe técnica, responsável pelo projeto da casa e do entorno.

O papel dos moradores vai além de assistir as paredes de suas casas serem levantadas por gente disposta a ajudar. Eles participam de todos os passos da elaboração do projeto, de acordo com a metodologia da ONG. Representantes da Habitat Brasil fazem reuniões periódicas com os beneficiados em debates sobre a realidade local. Esses encontros discutem a história da comunidade, seus desafios e anseios para que assim consigam transformar sua situação aumentando seus laços e a confiança mútua. “A participação na obra e nas discussões é a contrapartida delas, pois muitas não têm como entrar com recursos financeiros”, lembra Joanna.

As casas da Habitat feitas no Nordeste custam de R$20 mil a R$ 25 mil e levam cerca de um mês e meio para ficar prontas, mas o preço e o tempo de construção podem variar de acordo com a região e as condições climáticas. Recursos e materiais, como tijolos, cimentos e mobiliário são frutos de doações de empresas e pessoas simpáticas à iniciativa.

Um Teto em São Paulo

Outra organização que atua na construção de casas é a Um Teto para o Meu País. Nascida após um terremoto no Chile, a ONG se espalhou pela América Latina levantando casas emergenciais em áreas afetadas por tragédias naturais e ajudando moradores de favelas a melhorar seus lares. No Brasil, a organização já levantou mil moradias com a ajuda de quatro mil voluntários em 30 comunidades de 14 municípios de São Paulo.

Como na Habitat, o material de construção é obtido por meio de doações de empresas e pessoas físicas. As casas da Um Teto para Meu País, de 18 m², são construídas em alguns dias e geralmente têm a madeira como principal alicerce. Custam em torno de R$ 2.500.

De acordo com a organização, a ideia é, em um primeiro momento, tirar as pessoas de moradias precárias, construídas de papelão ou restos de obras, para, em seguida, ajudá-las a regularizar a posse do terreno e então construir uma casa definitiva e mais confortável.

O término de cada moradia demanda cerca de dez voluntários, geralmente jovens de classe média dispostos a mudar a realidade de alguma família em necessidade. “Nosso foco de voluntariado são jovens universitários e recém-formados, entre 18 e 30 anos”, detalha Daniela Dolme, diretora de comunicação da ONG. “Mas queremos envolver a sociedade como um todo, fazendo com que todos se comprometam com a tarefa de construir um continente mais solidário”.

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